Roteiros de Maria: Rio de muita História e Cultura.

Comentei no post anterior que estava fazendo um roteiro para o Nordeste, para clientes que pretendem viajar por conta própria. E não é que eles gostaram do roteiro previamente rascunhado? O problema é: 20 dias para conhecer todo o Nordeste  é, sinceramente, muito complicado. De São Luis/MA à Itacaré/BA (a pedido do grupo), em uma operacionalidade terrestre e aéreo, com utilização de vans e veiculos off-road e com visitas as mais belas praias da região. É muito complicado, mas nunca impossível – principalmente para quem gosta de viajar, de aventuras. Particularmente, adoro essas ginásticas operacionais com o apoio de parceiros maravilhosos.

E por falar em roteiros, principalmente os não comuns, me recordei que estava devendo ao blog e aos leitores do blog, um receptivo nada comum que realizei em fevereiro. E, por falar em leitores do blog, agradeço muitissimo as mais de duas mil visitas (quase três mil) que o blog teve desde a sua criação. Muito legal isso. Muito obrigada. Até porque o objetivo do blog não é tão somente vender os serviços de guiamento, mas falar sobre o turismo de forma geral; com criticas, sugestões, dicas, trocas de idéias. É muito bom encontrar emails de vocês na minha caixa de mensagens com informações diversas e/ou até mesmo solicitando orçamento ou tirando dúvidas do meu serviço. Obrigada.

Bem, a cliente, me pediu para levá-la para conhecer os sebos do Rio de Janeiro. Ela queria comprar livros e não gostaria de fazer àqueles roteiros maravilhosamente básicos que todo o turista gosta de conhecer em sua visita à cidade do Rio de Janeiro. Ela queria comprar livros em sebos.

Ok. E assim foi. Após uma pesquisa básica sobre os bons sebos do Centro do Rio e os horários disponíveis para atendimento ao público, decidimos unir o objetivo de nossa cliente com um city tour histórico pelo centro da cidade – aproveitando o “caminho” dos sebos – e, ao final, uma visita à Santa Teresa e a famosa escadaria Selaron.

Começamos nosso roteiro pelo SAARA, conhecido reduto de comércio popular do Rio de Janeiro, seguindo pela Rua Senhor dos Passos até a esquina com Avenida Passos. Aliás, é justamente no encontro desses dois famosos logradouros do Centro da Cidade que, a história aponta como local do enforcamento de Tiradentes – o martir da Inconfidência Mineira – movimento que objetivava  ideal separatista contra o governo português no período colonial.

Ali mesmo na Avenida Passos, a cliente já adquiriu boa parte do que pretendia e, tranquilamente, ela pode apreciar um pouco da história de nossa cidade.

Vamos fazer virtualmente o mesmo roteiro feito por Maria?

1 – SAARA: Foi a área de escoamento dos navios chegados ao porto e onde se realizava a alfândega, vistoria e conferência das mercadorias. Daí o nome rua da Alfândega, recebido em 1716 após várias outras denominações.
Como era bem próximo ao porto, este local também serviu como abrigo aos inúmeros imigrantes sírios, libaneses, judeus, gregos, turcos, espanhóis, portugueses e argentinos, que chegaram ao Brasil no final do século XIX e início do século XX. Alguns deles, fugidos da primeira guerra mundial, descobriram no Brasil um país de paz, com perspectivas melhores para o futuro.

2 – Igreja Nossa Senhora da Lampadosa: Em 1747, a Irmandade Negra da Alampadosa ou Lampadosa, ergueu a pequena Igreja de Nossa Senhora da Lampadosa. A Igreja adquiriu tanta importância que passou a designar todo o campo como – Campo da Lampadosa, até 1808.  Na porta desta Igreja, Tiradentes teve seus últimos momentos de recolhimento, a caminho da forca, que ficava localizada na esquina da Avenida Passos com a Rua Senhor dos Passos.

3 – Praça Tiradentes: Tradicionalmente, é apontada como o antigo "Campo de Lampadosa", a praça é apontada erroneamente como sendo o local da execução de Tiradentes. Estudos recentes mostram que o alferes mineiro foi, na verdade, enforcado na esquina da Rua Passos com Avenida Passos, também no Centro do Rio. Dada a efervescência cultural do século passado, ficou conhecida por ser o "ponto cem réis" dos bondes que faziam retorno para o bairro da Muda. Possui ao seu redor dois dos mais importantes teatros da capital fluminense: o Teatro Carlos Gomes e o Teatro João Caetano. Também a seu redor se localizavam alguns estabelecimentos centenários que fizeram história, como a sapataria Tic-Tac (que criou fama na época do pós-guerra por se especializar em cravejar tachinhas de ferro nas extremidades do solado dos calçados) e outros que já não mais existentes, como a Camisaria Progresso. Na praça está localizado o Monumento a D. Pedro I, que muitos pensam tratar-se da estátua de Tiradentes, executada pelo escultor francês Louis Rochet a mando de D. Pedro II. É a mais antiga estátua do Rio de Janeiro.

Nas proximidades há, ainda, alguns prédios de valor histórico, tais como: o Solar do Visconde do Rio Seco (Pça. Tiradentes, 67), a Igreja do Santíssimo Sacramento (Av. Passos, 50), a casa de Bidu Sayão (Pça Tiradentes,48) e as casas de números 5 e 11 da Rua Gonçalves Ledo.

4 – Real Gabinete Português de Literatura: Em 14 de Maio de 1837, um grupo de 43 emigrantes portugueses do Rio de Janeiro e deve-se sublinhar que isto ocorre somente 15 anos depois da Independência do país – reuniu-se na casa do Dr. António José Coelho Lousada, na antiga rua Direita (hoje rua Primeiro de Março), nº 20, e resolveu criar uma biblioteca para ampliar os conhecimentos de seus sócios e dar oportunidade aos portugueses residentes na então capital do Império de ilustrar o seu espírito.

5 – Catedral Presbiteriana: Os primeiros presbiterianos instalaram-se no Brasil em 1859. O projeto do templo atual, em estilo neo-gótico, é de autoria do engenheiro Ascânio Vianna e do reverendo Mattathias, e data de 1925. A decoração interna e os belos vitrais são de Maria Celina Simon, adicionados em 1947.

6 – Rua da Carioca: A Rua da Carioca foi aberta entre os anos de 1797 e 1798, a princípio as casas se alinhavam somente do lado direito, pois do lado esquerdo, junto ao Morro de Santo Antonio, corria a cerca de propriedade dos frades franciscanos. No início chamou-se Rua do Egito, talvez pela proximidade com o Oratório dedicado à Sagrada Família na sua fuga para o Egito. Em 1741, quando o Convento cedeu um terreno de frente para o Largo da Carioca e de fundos para a Rua da Carioca, para a construção do Hospital da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, começaram a surgir casas do lado esquerdo da rua. Nesta época ela passou a chamar-se Rua do Piolho, devido a um morador apelidado de "piolho" porque vivia a vasculhar pelos cartórios como "piolho em costura". Manteve esta denominação até 1848, quando a Câmara Municipal deu-lhe o nome de Rua da Carioca.

O lado ímpar da Rua da Carioca possui prédios construídos por volta de 1887 e se constitui de um conjunto harmonioso formado de construções Neoclássicas de gabarito constante com platibandas e frontões, além das janelas ritmadas. O lado par apresenta grande diversidade eclética com construções que substituíram as originais, em 1903, quando a Rua deixou de ser uma viela suja, estreita e feia porque recebeu o vendaval urbanizador de Pereira Passos e foi alargada para 17 metros.

O cinema Íris é um dos poucos exemplos de Art-Nouveau da cidade e foi projetado pelo engenheiro Paulo de Frontin. Na Rua da Carioca se encontra um dos mais tradicionais bares da cidade, o Bar Luiz.

7 – Alerj – Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro: Foi o antigo prédio do Congresso Nacional brasileiro, entre 1926 e 1960, e é a atual sede da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

Construído no terreno ocupado pela "Cadeia Velha", que abrigara os presos do período colonial, o palácio substituiu o prédio do antigo Parlamento Imperial. Seu nome homenageia o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que ali esteve preso antes de ser conduzido à forca, em 21 de abril de 1792.

Em 1960, com a mudança da Capital Federal para Brasília, a cidade do Rio de Janeiro passou à qualidade de Estado da Guanabara e o Palácio Tiradentes passou a acolher a Assembléia Legislativa do Estado da Guanabara. A Guanabara existiria entre 1960 e 1975, quando se fundiu ao Estado do Rio de Janeiro e o Palácio Tiradentes passou a abrigar a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

8 – Igreja Nossa Senhora do Monte do Carmo: Primeira catedral da cidade, a igreja foi construída em 1761 e tem teto decorado com painéis, altar-mor com detalhes em prata lavrada e decoração dourada em estilo rococó. Foi a Sede Episcopal da Diocese até 1976, quando foi concluída a nova Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, razão pela qual também é referida como Antiga Sé. Como Capela Real, a Igreja do Carmo foi palco de importantes eventos, como a sagração de D. João VI como Rei de Portugal, em 20 de março de 1816, após a morte de D. Maria I. Aqui também se casaram o príncipe D. Pedro, futuro Imperador do Brasil, com D. Leopoldina de Áustria, no dia 6 de novembro de 1817.

9 – Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo: Com fachada revestida de pedra, esta igreja colonial tem referencia arquitetônica pombalinas. No interior, há vários detalhes de entalhe barroco esculpido pelo mestre Valentim entalhou o altar-mor e o altar da nossa senhora das dores, verdadeiras obras de arte.

10 – Paço Imperial: Um dos poucos exemplos de arquitetura puramente barroca ainda encontrada na cidade. O Paço Imperial, como é conhecido hoje, já foi a Casa dos Contos ou da Moeda e, em 1743, iniciaram-se as obras do engenheiro José Fernandes Alpoim, estabelecendo neste sítio a Casa dos Governadores. Em 1763, com a transferência da sede do governo do Estado do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro, o prédio tornou-se o Palácio dos Vice-Reis e, a partir de 1808, Paço Real. Ele reproduzia as características de diversas praças do Império português, seja na Europa, seja no Ultramar, guardando uma série de semelhanças com o Terreiro do Paço, em Lisboa. Estava nesta área do Rio de Janeiro uma série de atividades vinculadas ao comércio e ao poder régio.

A praça, onde está localizado o Paço Imperial, ainda abriga o  o chafariz de D. Maria I, obra do mestre Valentim da Fonseca e Silva, datada da segunda metade do século XVIII. Onde encontra-se o chafariz desembarcavam os navios oriundos de diversas partes do Império português. Hoje, o atracadouro do antigo porto está em uma das áreas aterradas da Baía de Guanabara.

11- Arco dos Teles/Casa do Telles: A Casa do Telles ficava localizada em cima de um Arco que ficou conhecido como Arco do Telles. Foi construída em 1730 por José Fernandes Pinto Alpoim, pertencia à família Telles de Menezes e atualmente possui apenas um dos casarões originais. O Arco atualmente dá acesso à Travessa do Comércio, anteriormente conhecida como Beco do Peixe.

12 – Centro Cultural Banco do Brasil: O Centro Cultural Banco do Brasil ocupa o histórico nº 66 da Rua Primeiro de Março, prédio de linhas neoclássicas que, no passado, esteve ligado às finanças e aos negócios. Sua pedra fundamental foi lançada em 1880, materializando projeto de Francisco Joaquim Bethencourt da Silva(1831-1912), arquiteto da Casa Imperial, fundador da Sociedade Propagadora das Belas-Artes e do Liceu de Artes e Ofícios. Inaugurado como sede da Associação Comercial, em 1906, sua rotunda abrigava o pregão da Bolsa de Fundos Públicos. Na década de 20, passou a pertencer ao Banco do Brasil, que o reformou para abertura de sua Sede. Esta função tornou o edifício emblemático do mundo financeiro nacional e duraria até 1960, quando cedeu lugar à Agência Centro do Rio de Janeiro e depois à Agência Primeiro de Março , ainda em atividade. No final da década de 80 , resgatando o valor simbólico e arquitetônico do prédio, o Banco do Brasil decidiu pela preservação do prédio ao transformá-lo em um centro cultural. O projeto de adaptação preservou o requinte das colunas, dos ornamentos, do mármore que sobe do foyer pelas escadarias e retrabalhou a cúpula sobre a rotunda. Inaugurado em 12 de outubro de 1989, transformou-se em pólo multimídia e fórum de debates.

13 – Casa França Brasil: Fundado em 1990, o centro cultural localiza-se em um prédio projetado pelo arquiteto oficial da Missão Francesa, Grandjean de Montigny, e já abrigou a Praça do Comércio e a Alfândega. A Casa hoje é um pólo de difusão de cultura e referência em arte contemporânea. Este espaço pertence à rede estadual de cultura.

Aqui no blog, já havia me extendido um pouco mas sobre a Casa França Brasil. Confira em Destino: Centro Histórico deo Rio de Janeiro

14 – Bairro de Santa Tereza: O bairro de Santa Teresa surgiu a partir do convento de mesmo nome, no século XVIII. Ele foi inicialmente habitado pela classe alta da época, numa das primeiras expansões da cidade para fora do núcleo inicial de povoamento, no Centro da cidade. Surgiram, então, vários casarões e mansões inspirados na arquitetura francesa da época, muitos dos quais estão em pé até hoje.

Em 1872, surgiria o bonde que se tornou o símbolo do bairro, e que atualmente é a única linha em funcionamento na cidade, subindo a rua Almirante Alexandrino. Inicialmente, o bonde era verde, mas passou a ser pintado de amarelo após reclamações de moradores que diziam que o bonde "sumia" em meio à vegetação do bairro. O bonde vai do bairro ao centro da cidade através dos Arcos da Lapa, um antigo aqueduto hoje desativado, desde 1896, quando fez sua primeira viagem.

15 – Convento de Santa Teresa: O Convento de Santa Teresa do Rio de Janeiro, fundado no século XVIII, localiza-se no bairro de Santa Teresa dessa cidade.

O Convento é produto da dedicação de Jacinta Rodrigues Aires e sua irmã, Francisca, que conseguiram autorização do Governador Gomes Freire de Andrade, Conde de Bobadela, para a construção de um convento de Carmelitas Descalças dedicado a Santa Teresa de Ávila. O Governador deu-lhes um grande terreno e uma antiga capela construída em 1620 no Morro do Desterro (depois chamado Morro de Santa Teresa). Numa cidade onde havia poucas mulheres brancas, o Convento de Santa Teresa seria o primeiro convento feminino.

16 – Escadaria Selaron: Jorge Selaron, é um pintor e ceramista autodidata chileno radicado no Brasil. Ele é o autor de uma obra viva e mutante que colore a Lapa e Santa Teresa. Passou por mais de 50 países até decidir que viveria no Brasil. Sua maior e mais conhecida obra está na escadaria do Convento de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, que teve seus 215 degraus e 125 metros decorados com mais de dois mil azulejos diferentes, porvenientes de mais de 60 países, dando um tom brasileiro com as cores da bandeira.

Fonte de Pesquisa: Todas as fontes estão devidamente linkadas nos itens, em ordem numérica, de cada ponto turistico visitado por  Maria.

 

 

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